segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mama áfrica é ritmo, é música


É quase que impossível obter uma descrição geral da chamada música africana, devido à quantidade e à diversidade de expressões. No entanto, existem semelhanças regionais entre grupos desiguais, assim como as tendências que são constantes ao longo de todo o continente africano.



Para quem não conhece, África é um lugar rico em cultura e em música, que, apesar de estar presente quer por influência, quer por descendência, nos demais canais de televisão como a MTV, através da música mastigada e quase que como imposta na esfera comercial ou bem vista, vai muito além disso.
A música africana dá-se como progenitora de maioria da música após 2000, se não, da maioria da música. Vai servindo de inspiração e referência.




Sejam os seus traços exóticos, os ritmos quentes, o balançar do corpo, as vozes e estilos inconfundíveis ou até os imensos instrumentos por muitos desconhecidos, lembram a vida, a natureza, o verde, a Mama Africa.



Da jamaica ao Brasil, dos PALOP a Portugal, dos Estados Unidos á Austrália, a música africana exerceu grande influência sobre outras manifestações musicais no mundo.
Se expandiu por diferentes culturas, fundiu-se com outros sons, e resultou até em estilos de música urbana contemporânea, muitos deles, recentes.

"Babatunde Olatunji nasceu a 7 de Abril de 1927 em Ajido, Lagos, na Nigéria, e morreu a 6 de Abril de 2003, nos Estados Unidos. E foi nos Estados Unidos que ele passou a principal parte de sua carreira, iniciada nos anos 50, quando fez amizade com um dos maiores gênios do jazz, John Coltrane, e com o A&R John Hammond, da Columbia Records, editora para a qual começou a gravar em 1957 (o seu álbum «Drums of Passion» é um clássico). Babatunde fundou o Olatunji Center for African Culture, em Harlem, Nova Iorque, e foi o guru de inúmeros bateristas, percussionistas e outros músicos (de Bob Dylan a Santana, de Mickey Hart a Airto Moreira, de Quincy Jones a Stevie Wonder, de Max Roach a Muruga Booker), Olatunji foi também um activista dos direitos civis nos EUA, ao lado de Martin Luther King e, depois, de Malcolm X"



Como Babatunde existem inúmeros outros exemplos, como os Blues, repletos de melancolia, que ficaram conhecidos como a “música do Diabo”, onde os cantores manifestavam o seu mal-estar sem revelarem uma atitude de revolta nem de desafio, lamentando-se e procurando sofrer o menos possível. Assim como os espirituais negros cantados pelos escravos ao chegar nas Américas, que afirmavam a cultura africana e representavama realidade quoidiana. O jazz, que apesar de não ser considerado música africana, resultou do encontro entre a cultura "branca" e a cultura "negra" no sul dos Estados Unidos. Daquele gênero de música que contém uma saudade da África, foi inicialmente criado por músicos negros, e serviu na época, de voz expressiva de uma minoria. Derivado dos espirituais e dos blues, hoje, o jazz inspira muita da tão sabida música moderna.

Nas artes, na dança, na culinária, na religião, nas crenças, tal como na música, o espirito cultural africano é algo insubstituível das culturas dos países afro-latino -americanos, da América do Norte e não só. Não só, porque a cultura musical africana é parte integrante de músicas como o o samba brasileiro, o tango argentino e uruguaio, a rumba e conga cubanas, o pop e o pop-rock e o funk também. Como estes estilos musicais são adotados na maior parte dos países do mundo, eles internacionalizaram a música africana, daí se afirmar que, musicalmente falando, a cultura dos povos de quase todo o mundo tem como um dos seus agentes mais fortes, a alma cultural africana.

A cantora brasileira Luciana Oliveira, busca a sua inspiração em sons de Afro-jazz:





Referindo o Brasil...Foram exatamente estilos musicais, de influência colonial africana, como o lundu, que acabaram por dar origem à base rítmica do maxixe, do choro, do samba, e por conseguinte da bossa-nova e outros gêneros musicais atuais. E quando se menciona o Brasil, é regra, falar da capoeira, uma mistura de arte marcial e dança, criada, ora está pelos escravos na era colonial, tal como o berimbau,o instrumento utilizado para criar o ritmo que acompanha os passos da capoeira.

Mas infelizmente, no século XXI, não em todos, mas em bastantes casos, conta bem mais, a fama, a polêmica, o dinheiro, e o vender albums. Maioria dos artistas se acabam perdendo das suas raízes e influências, ao tentar se moldarem ao padrão comercial faturador. E acabam por produzir albums atrás de albums, sem destaque nenhum perante outros albums e albums, em que as musicas, tal como os artistas se tornam complicadas de distinguir, e os videos incluem quase sempre os mesmos conceitos, isto se admitirmos que a música mais consumida do planeta é a norte-americana.

Será isto uma forma de confirmação? Talvez.

Mas nos bastidores da música Norte-americana, encontra-se um outro universo, disperso e maravilhoso. Por isso costumo dizer, que onde se encontra o melhor da musica é no refundido...no fundo dos fundos...quanto menos se conhece, melhor é para os meus ouvidos! E que surpresa que tem sido ultimamente, descobrir imensos artistas que não tinha sequer ouvido falar, e nem sonhava que pudessem existir. E de repente, todos parecem arte, todas se têm revelado MUITO bons. Acho que estou conseguindo interpretar e apreciar o que cada gênero, cada arista tem para oferecer, explorando o continente africano sem limites.

A sonoridade negra, não só, paralelamente á história e ao desenrolar da sua cultura, influenciou a música contemporânea que existe hoje no seu próprio continente tal como a que existe no resto do mundo, assim como abriu portas a novos estilos musicais, novas vertentes culturais, assim como também se adaptou ás fusões e ás novas musicalidades do hoje em dia. Essas em que tal como a mão de obra, os instrumentos, começam a ser substituídos por novas tecnologias e sons eletrônicos, misturadores digitais, e unidades de efeitos...por máquinas. É que em África, atualmente, embora ainda exista uma clara polarização entre a música europeia, de um lado, e a música étnica africana, do outro lado, há sinais de que se inicia um processo mútuo de compreensão e aceitação. Não se iluda, que música africana é sinônimo de rústico.





Mas o mais maravilhoso, é que ainda é possível encontrar sons bem enraizados ao passado, onde tudo começou, sons tais os que influenciaram meio mundo, se convertendo de vinil a mp3 a Ipod. E me fascina, o quanto de música africana pura, digamos assim, ainda existe. Aquela que veio antes mesmo dos amigos hips e hops, Rs e Bis, gospel e soul, do Rock n' Roll, do samba, da amiga salsa ou ate mesmo antes da chegada dos amigos espirituais, o Blues ou ainda antes do outro amigo, o Jazz. Antes de todas essas relações amigáveis, existia sozinha e ainda existe em África, uma personalidade só dela, sem influência de terceiros, se não de o ter sobrevivido á mudança e ao tempo. Que serviu de expressão, de força, e representou luta, revolução, evolução e união ao longo desse exato tempo.





Com certeza vale a pena ir aos confins da Terra Mãe para os arrancar pela raiz.

Uma seleccão feita por mim:


The Budos Band - The Budos Band III - Americano mas baseado em afro-beats

Goldfish - Perceptions of Pacha - Africa do Sul

340 ml - Dorry for the Delay - Mocambique

Kaysha - African Bohemian - Republica Democratica do Congo

Mulatu Astatke & The heliocentrics - Inspiration information - Etiopia

Lira - soul in mind - Africa do Sul

Tutu Puoane - Quiet now - Africa do sul

Judith Sephuma - A cry, a smile, a dance - Africa do Sul

BLK JKS - After Robots- Africa do Sul

Dear reader - Replace why with funny - Africa do Sul

Sara Tavares - Balance- Luso-Cabo-Verdiana

Mayra Andrade - Storia Storia - Cabo Verde

Moreira Chonguica- Moreira Project - Mocambique

Mango Groove - Bang the drum - Africa do Sul

Lucky Dube - Best Of - África do Sul

Miriam Makeba - Pata Pata - Africa do Sul

Guy Buttery - Fox hill lane - Africa do Sul

Toumani Diabaté/Ballake Sissoko - New Ancient Strings [1999] - Mali

Alex Heffes - The last king of scotland soundtrack

Wouter Kellerman - Colour Live In Concert- Africa do Sul

Orchestra Baobab - Pirates Choice - Senegal

Cesaria Evora - Best of - Cabo Verde

Lura - Eclipse - Luso-Cabo-Verdiana

Nneka - No longer at ease - Nigeria

Tito Paris - Ao vivo no B.Leza - Cabo Verde

Buraka Som Sistema - Black Diamond - Angola

Banda Next - Angola

k'naan - Troubadour - Somalia

Zap Mamma - Republica Democratica do Congo

Afel Bocoum, Damon Albarn, Toumani Diabaté & Friends - Mali Music - Mali

Fela Kuti - Best of - Nigeria

Jimmy Dludlu - Echoes from the past - Mocambique

Baka Beyond - Camarões/Gana/Senegal/Serra Leoa

Magic System - Petit Pompie/Premier Gaou - Costa do Marfim

Freshlyground - Jika Jika / Nomvula - Africa do Sul

Malaika - Malaika - Africa do Sul

Mafikizolo- Sibongile - Africa do Sul

Yoav - charmed and strange - Israel / Africa do Sul

Etran Finatawa - Introducing Etran Finatawa - Niger

Aly Keita - Akwaba Iniséné - Costa do Marfim

The kings - Angola

Colectanea de musica africana ouvida em Inglaterra entre 1927 e 1929 - Album: Living is Hard 

Ai vão uns links com rankings dos 15 melhores albums africanos...

http://www.crutchfield.com/S-8Rh1LcEk5qt/learn/reviews/20040622/african_CDs.html


http://eptv.globo.com/lazerecultura/lazerecultura_interna.aspx?305362

E outro, com um ranking as 10 melhores vocalistas africanas...

http://www.museke.com/en/node/3813


E um ótimo site sobre o assunto:

http://somnegro.wordpress.com/


Por favor, DESFRUTEM!

Poemas de minha meninice...


[Sera tudo isto ilusao vivida?
E se o caminho nao for o mais correcto?
O desejo e incerto.

Infalível.
Instável.
Infiel.
O tempo trai.
Veloz.
Cruel.

E nada que julgue agora...
Saberei esclarecer.
Como o tempo sou,
E não o sei esconder.
Por vezes...
Que me traio...
Que me sou infiel...
Que infalivelmente,
Por vezes
Sou instável e cruel.

Sou igual ao desejo
Que meu coração concentra...
Aquele que me sufoca e aperta.
Sou incerta...

Logicamente nada posso garantir.
Nada posso prever.
Ter certezas do que irei viver.

Pois eu mesma posso me enganar,
E mais tarde vir-me a contradizer.

Nada sei.

Será então tudo isto ilusão vivida?
Será o caminho mais correto?
Não vou responder ao que não sei.
Eu não sei nada.

Vou viver largada
Despreocupada.
Sem pensar em vão...

Em nada.]
21-02-2007

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Manifestações em Moçambique contra o elevado custo de vida


FOTO:Grant Lee Neuenburg


Maputo está um caos! Moçambique está em crise.

Hoje, entraram em vigor em todo o país novos preços da água e luz. A estes reajustamentos seguem o aumento do preço dos combustíveis em 25%, material de construção e produtos alimentares básicos no nosso país, como o arroz, o pão e a farinha.

Aquando da subida de preços previamente referida no país, que ocorreu hoje dia 1 de Setembro de 2010 em Moçambique, ouvia-se lá e cá ao longo da semana, que por questões de segurança, o melhor era ficar por casa, riscar o dia do calendário ou sair á rua e desafiar o poder. Tanto foi, que por volta das 8 da manhã, instaurou-se a confusão e o pânico pelas ruas da cidade, especificamente nos referenciais pontos de entrada e saída de Maputo. O que de começo pareceu uma manifestação leve e comportada, logo mais se converteu num cenário caótico, em que, entre violência e despreparamento, policiais e cidadãos se combatiam freneticamente, tal primitividade, lembrando filme de guerra, ou se não uma guerra. Guerra essa, que acabou chegando á cidade da Matola, que se situa nos arredores de Maputo, ainda nem 10 da manhã marcavam os relógios e á cidade da Beira e de Nampula antes do almoço. A Estrada Nacional Número 1 – EN1-, a principal do país, esteve bloqueada em vários pontos. A circulação na EN4, que liga a cidade capital à África do Sul e Suazilândia, está restrita. Isto porque os manifestantes montaram barricadas nas estradas, lançaram pedras contra a polícia e viaturas e queimaram pneus. Não deu nem duas horas de protesto, iniciaram-se os roubos, o vandalismo, tendo sido várias lojas, armazéns e bancos vandalizados, e assaltados.

A policia moçambicana, profissionalmente despreparada, reprimiu com violência: pelo menos duas crianças foram mortas inocentemente e, apesar de faltarem números oficiais, há relatos de seis mortos e 42 feridos. Quanto ao resto da cidade, encontra-se deserta, sendo que, só os hospitais estão de serviço, mesmo que com número reduzido de funcionários.

Errado? O certo é não ceder razão a ninguém pela forma que o processo está ocorrendo, mas que de partida, o povo está com fome, está ! e os preços são hilariantes para quem recebe ordenados miseráveis, são! Em Moçambique, tem havido um grande aumento de custo de vida. Só em Julho passado, a inflação chegou aos 16,1%, devido a uma galopante subida dos preços dos produtos básicos. A população mais pobre de Moçambique, que já vive em condições muito difíceis, é a mais duramente atingida por estes aumentos. De relembrar que o povo Moçambicano ativo, vive de mais ou menos, o equivalente a 65 dólares americanos por mês, sendo esse o ordenado mínimo. Isso, quando sequer é cumprido e respeitado, ou sabiamente reclamado pelo trabalhador. O restante vive abaixo desse valor, sendo elevado o número de pessoas que vivem abaixo do equivalente a 1 dólar americano por dia. Essas mesmas pessoas, que não têm acesso a uma boa educação, a saúde pública, a segurança, á habitação, nem aos sectores básicos de qualquer individuo. Essas mesmas pessoas que vão dormir constantemente com fome, elas e seus 7 membros familiares.

De longe, toda a falta de civismo da parte da população e a crise social que está havendo, parte de um ponto de partida, como um ciclo vicioso, tudo vem lá de cima...há que ter controlo sobre o país, se se quer governar. Há que manter a ordem, implementar condições e um equilíbrio econômico e sustentável. Há essencialmente que prestar o exemplo.

O analista Ismael Issá esteve presente em direto no programa Balanço Geral do canal Miramar e desafiou sem papos-na-língua" temos de deixar de perconceito com os projetos da epoca colonial, tudo bem que foram criados pelo nosso adversario, mas ha que agarrar e dar lhes continuidade se sao dos poucos que nos podem dar algum sustento e estabilidade" " chega desse excesso de puxa-saquismo a pessoas incompetentes só por ser conveniente e de agrado""nao existem sindicatos na funcao publica e da policia, como na vizinha africa do sul - não existem caras representativas no governo e na populacao para que possa existir uma manifestacao civilizada, e os que existem tem medo e sao intimidados e nao confiam" " é inadmissivel que mocambique ainda se sustente pelos impostos da funcao publica que nao tem o que comer" " O IVA esta a ser taxado incorretamente ou ilegalmente 4 vezes sobre o custo do combustivel" " para que que gastamos milhoes de dolares com a plantacao de jetrofa em Mocambique? nao fizemos proveito, e temos milhares de hectares de plantacoes de trigo e milho abandonados desde a epoca de Samora Machel"

Referindo os media, é impressionante o tanto de violência gratuita, sem censura ou sequer prévio aviso, que se esbanja nos canais moçambicanos de televisão em direto. Digamos que depois de ver imagens da cidade a arder durante o dia inteiro, o cidadão ainda tem de levar, se bem que desnecessariamente, com a imagem das tais 2 crianças mortas pela polícia com as cabeças estilhaçadas no chão em volta de uma mancha de sangue. Isso porque, o ministro do interior afirmou que não existiam balas de fogo, mas sim apenas de borracha, sendo utilizadas contra a população.

Aí levanta-se a questão, será que o governo está realmente importado com o seu país, será que toda esta selvageria adiantará de alguma coisa? Já custou no mínimo, a vida de duas crianças inocentes. O que mais, até sexta-feira, enquanto uns ficam em casa trancados ouvindo os gritos e tiros dos outros que gritam e são alvejados lá fora, vai custar?

Que sexta-feira, acabe santa. Só resta esperar mais uns dias, pelo fim desta guerrilha entre a esperança e a corrupção.