quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sobre Amizade

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A vida une pobres, tristes, loucos, ricos. Aproxima diferenças e aconchega o tempo. África foi a vida de muitos, é ainda de alguns, e será de vários por chegar...mas tal como a vida, nos aproximou e a tudo aquilo que achamos incompatível de se lidar, uniu pessoas de cada lado do mundo, com algo em comum...a saudade de casa e a desconfiança, o desconforto nessas ruas de Maputo, por elas. Criou amigos, desenhando assim, aquilo que consideramos família, nestes, naqueles, nos outros, momentos, agora, á um ano ou daqui a dez. Em tão pouco tempo, surgiu como que por intenção, cumplicidade, conhecimento e paciência suficiente para brigar. Confiança para se ser, para se fazer, para se viver sem tabboo ou preconceito. Em tão pouco tempo, um quanto de olhos fechados e de boca aberta, testemunhamos o melhor e o pior de todos enquanto sós ou enquanto juntos em festas até Domingo, daquelas em que os relógios agoniam quando se repara neles. Daquelas em que os instrumentos nervosos dançam o ritmo do cachimbo, entre notas livres e desafinadas. Daquelas noites em que as cortinas se tapam com mais cortinas, e nós de frio. Juntos em trabalho, em viagens de chapa. em noites de youtube ou torcidas pela Coréia do Norte. Na morte, no nascimento, no velório, ou no casamento. Até aí já dá para avaliar o que de cada um é feito, e tudo bem. Queremos sempre, dentro dos possíveis ir catando um pouco de felicidade dos outros, assim como aquele mais que podemos acrescentar ao que somos,dos outros também e das suas vidas, e da sua passagem pela nossa. Daí, todos se transformaram, todos aprenderam e cresceram. Até a África. Sabendo que nos unimos neste momento no tempo, e que foi para valer, recordemos sempre com algum glamour nostálgico, o que aconteceu nesse lugar. Resta-nos um telefonema de distância, uma passagem de distância, uma twittada de distância...e vai que com as modernices desse século, o amigo facebook, nos dá a oportunidade de estarmos todos juntos de novo, ao mesmo instante...pois no mundo real, esse será um desafio. Voltemos sempre a Maputo, nem que em memórias emolduradas nos novos hábitos, nas novas aparências, nos novos gostos, nos novos contatos, novos sentimentos, novas lembranças, novas lições, novos amigos, novas vidas, novos eus, que ganhamos. Tenhamos saudades, de todos eles, e dos que já vamos vivendo no presente, agora. Pois logo logo, será domingo, e fica na hora de desmanchar as tendas e arrumar a festa, e com ela o resto. Só resta então ressaca. Ressaca de festejar, ressaca de amor, ressaca de amizade, ressaca de viver...resta saudade.