domingo, 25 de julho de 2010

Silêncio




O silêncio começa assim. Quando os pensamentos vão perdendo o fio, a corda. E as ideias a memória. Quando as conversas se encarnam em diálogos abstratos, em uma mera troca de ruídos um tanto para o abafados pela raiva. Em monólogos teatrais de gestos impotentes e lágrimas ignoradas, em vontade nula de mostrar os podres dentes que se tem na boca ou a língua que antes serviu de excesso. Em fraqueza explicita de expressar o que se sente. Em formas estupidamente escassas de sentir. Em despreocupação presunçosa de arranjar emoção ou palavra que reconstrua uma equivocada situação. Em revolta conflituosa no subconsciente de quem vegeta.

Em silêncio.

E as horas vão. Só pesa o silêncio. Este, e o da chuva. Água que já só cai lá fora e substitui o que pela face do silêncio não escorre mais - angústia, ilusão, desilusão.

Agora só resta utopia...

Tic,

Escuridão,

Tac,

Silêncio.

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