quarta-feira, 16 de junho de 2010

Em simultâneo mas não em sintonia



Todos vivemos nesse mundo fora em simultâneo, mesmo que nem sempre, em sintonia. Acabamos sempre, na vida, por sofrer crises de existencialismo e de ironia. Para tudo que fazemos ou vivemos, jáz um oposto ou um trocadilho, como se estivéssemos destinados ao equivoco uma vez ou outra. E isso porque a realidade é uma, todos vivemos nesse mundo fora em simultâneo. Somos demasiados, tudo é demasiado, demasiadas são as historias, as experiencias, os acontecimentos, os segundos, os lugares, as pessoas. Demasiados são os demais e as palavras. São coisas em demasia.

Incontáveis momentos co-existem com este meu e teu. E com qualquer outro meu e teu, num único mundo, num único universo, demasiado infinito. Assim, enquanto sorria, desprevenida desses incontáveis mementos, suspensos em outros algures, alguém se suspendia no tempo e na vida. Ao som dessa cantiga, dividi a arena, com milhares de braços e vozes frenéticas pela emoção de respirar. Foi um memento emoldurado na memoria. Eu estava sem qualquer crise de existencialismo ate então. Senti-me, justamente, viva. Sendo que nesse exato instante, algo em simultâneo neste mesmo, mas meu, mundo, perdeu a cor, morreu. Morreu sem dizer adeus, sem saber. E como sinto saudades!

Gostava de o ter aqui. Gostava de parar o tempo, num momento com ele. Gostava de não o ter apenas emoldurado na memoria e na mesinha de cabeceira. E como sinto saudades!

Como tudo o resto, aconteceu em simultâneo, mas não em sintonia. Gostava de poder te dizer: Pai, espera um minuto...Amo-te!

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