quinta-feira, 17 de junho de 2010

El Circo



Cheira a frenezim contemporaneo, a glamour e a espectaculo.
Os artistas, esses pobres ambulantes, servem-se esbanjadamente de bagaco e imoralidade. Nao devem nada a vida, no tanto que a respeitem, a sintam e a ultrapassem.
A casa jamais sera lar nenhum, e o lar, deve-se dizer, nao tem preco. Esse nao reside em casa alguma, se nao na alma e na empatia do criador pela arte, do dotado e o seu dom. O lar esta na ribalta dos seus feitos. O coracao no que amam viver.
Fazem-se a estrada como os ponteiros ao relogio, compulsivamente.
A utopia entre malabarismos perputentes e ilusivos, as palhacas gargalhadas borradas de batom escarlate, as chicotadas no bicho, o bicho desfigurado, o desfigurado anao, o animal e a besta, enjaulados na rotina e na risada, inaltecem o entretenimento nu e cru, facil, nos olhos e na respiracao excitada do ser humano. Facil tal como os corpos em silencio pendurados no pano, em panorama escuro e nostalgico, se contorcem de tom majestoso, ao vento do proprio balanco.
Quando as luzes desvanecem, levam consigo, os sorrisos, as mascaras, o show, o neon. Para alem do centro do palco, das bancadas redondas, da determinacao, da euforia e do transe, reside nas entranhas do dia a dia, o sarcasmo como forma retorica de quem se permite encarar a realidade. Quimera biografia.

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